sábado, 20 de setembro de 2014

Novo blog!

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Resenha

Resenha: As crônicas de gelo e fogo – Guerra dos Tronos
Game of Thrones é assim: nas primeiras páginas, você pensa: porra, essa porra de livro vai ser um saco”. Aí você fecha o livro. Depois se passam três semanas, você já leu TODOS( no meu caso, todos seriam entre 4 e 16 livros, em um período normal)  os livros da sua “ fila de leitura”, que  é composta pelos livros que você planeja ler futuramente, e você está em uma porcaria de crise de abstinência de leitura e pra sair desse inferno você volta a ler.
Trinta páginas iniciais e o resumo dos seus pensamentos é: “ Cacete, eu estava certo, esse livro esquisito é uma bosta”. Um pequeno tempinho se passa e o enredo te agarra pelas bolas, te acorrentando ao maldito tijolo em forma de livro, e as descrições, as quais horas antes você achava serem amaldiçoadamente e endemoniamente exageradas,  se tornam deliciosamente exageradas. Tá, elas são minuciosas DEMAIS e qualquer um as usaria pra cair numa porra de hibernação de urso polar, mas você está cagando, porque você está perdendo a sanidade mental de tanto querer saber se os lobos gigantes são um sinal.
Resumindo, o início é uma maldita subida lenta e entediante de montanha – russa que se transforma em uma descida cheia de atrito e frio na boca do estômago. Metáforas para isso são escassas, mas enfim... o meio é como um loop do brinquedo, cheio de ansiedade e desorientação. O excesso barulhento de detalhes te deixa tonto, e num choque você percebe que o velhinho obeso parecido com o Papai Noel que escreveu o livro é o deus da morte encarnado e um serial killer cujo nome ficará para a posteridade por matar personagens.

Sem mais delongas, o final é tão intenso que você fica com medo de não conseguir dormir enquanto não conseguir pôr as mãos no segundo livro da série. 

Novo projeto: Inferno Estelar

Inferno Estelar
Sinopse ( provisória): Em 3579, a Tríade ( união dos mundos de Júpiter, Netuno e Plutão em uma sociedade poderosa) e o planeta Saturno iniciam uma disputa ideológica que parece ser o prólogo de uma guerra espacial envolvendo sistemas solares distintos e o controle de dezenas de galáxias. Em meio a tudo isso, os três irmãos Pendragon ( um engenheiro genético, um hacker e um Papa ex - presidente da China), herdeiros de uma rica família nordestina, tomam consciência de que podem interferir no destino do Universo graças ao segredo que possuem e pedem a ajuda de um mutante, uma atriz alienígena e uma professora de ciências políticas para viajar por dimensões paralelas e enfrentar um diplomata maquiavélico que semeia a discórdia no espaço.
Capítulo 1
O engenheiro genético  brasileiro Immanuel Judas Pendragon estava em um cyber café no planeta  Uthopys, perto da sede da Sociedade Galáctica. O cyber era muito frequentado por diplomatas e políticos alienígenas  dos mais distantes planetas, que geralmente tinham uma participação importante nas assembleias da Sociedade, o órgão que trabalhava para a harmonia, paz e resolução dos conflitos entre  144 milhões de planetas, localizados em trinta e três mil galáxias, há incontáveis éons.
Mas tudo isso era a teoria, o que era ensinado nas escolas terráqueas e pela Internet desde o dia praticamente imemorável da visita dos uranianos ao planeta azul. Immanuel sabia, que, na prática, o que a Sociedade fazia não tinha a nobreza que os políticos atuantes lá queriam demonstrar.
Era exatamente por isso que Pendragon estava em Uthopys.
_ Boa rotação, doutor Pendragon – cumprimentou – lhe em mercuriano o diplomata goblinense que se deitou ao seu lado no tapete feito de seda persa e nanorrobôs .
_ Boa rotação, senhor Hashdoo – Judas devolveu o cumprimento na mesma língua.
_ Como está seu irmão, doutor ? – perguntou seca e falsamente em português Hashdoo, depois de pedir educadamente um energético Xorever em linguagem de computador para a garçonete – robô mais próxima.
_ A saúde do meu irmão não lhe diz respeito, senhor – sussurrou irritado em sombrak o engenheiro. _E prefiro conversar em sombrak até sairmos do cyber.
_ Muito bem dito, reencarnação de Mendel... ambos sabemos que nós não estamos aqui para falar desta situação fraternal amaldiçoada – falando em sombrak e deixando de ser prolixo, Hashdoo empinou seu nariz verde de goblinense e deu um papel reciclado com parágrafos e mais parágrafos escritos em Código Morse a Immanuel, logo após abrir a lata de energético que a garçonete – robô lhe trouxe e pedir à mesma um charuto bacense e a senha do wi – fi.
O terráqueo leu o papel, começou a mascar um chiclete de maconha e cochichou:
_ Por gentileza, Hashdoo, não use sua mutação contra mim.
_ Ás vezes minha visão não intencional sobre as vidas passadas dos seres me domina. Peço desculpas, Pendragon. Voltando ao nosso problema... certamente você já sabe que vinte e cinco galáxias se aliaram a Saturno e estão contra a Tríade, ou estou enganado ? – a perigosa e metódica calma de Hashdoo era incoerente com o fato de ele estar tomando um energético. Immanuel deu de ombros mentalmente. Goblinenses eram absolutamente incompreensíveis.
_ Não. Sei também que quer minhas teses para ajudar a inverter o rumo da guerra, como este papel me conta, mas já afirmei que respeitarei a privacidade da família Pendragon. – o engenheiro fingiu distração e excesso de confiança, querendo terminar o assunto rápido.
_ Se estivesse tão certo disso, não estaria em Uthopys nem estaria tendo esta conversa que claramente te deixa tão desconfortável. Ambos temos consciência que você redigiu as teses bêbado, mas utilizando todo o conhecimento científico que tinha. Divulgar estas para qualquer um dos lados, seja Saturno ou a Tríade, afetaria profundamente suas relações familiares, mas todos os seus irmãos já estão tomando partido na guerra, principalmente o... enfim, era só uma questão até que você fosse forçado a escolher qual ideologia ajudará. – o diplomata sorriu como um gato que encurrala um rato.
_ O meu segundo nome é o do maior traidor da História Solar. No entanto, quem só olha para o próprio umbigo é você. Não tomarei partido. E já aconselhei meus irmãos a fazerem o mesmo. Jogue esse papel no buraco negro a oeste de Uthopys, Distribggogramêõ – Kcuf Hashdoo  –  Wofista Alzheimer, pois isto só lhe servirá se for para limpar a bunda depois de se cagar quando a Tríade colonizar o sistema solar da sua porcaria de empresa bélica e provar ser tão podre de alma quanto o arrogante do rei de Saturno!!!!!!!!!! – berrou Judas, batendo no olho de Hashdoo com o charuto bacense e rolando para fora do tapete.
_ Immanuel, a Tríade está defendendo a democracia... – titubeou o diplomata, enquanto o engenheiro recolhia seu nanocomputador da escrivaninha onde deixara e procurava moedas de 1 real no bolso para pagar a conta dos chás de limão que bebera antes do goblinense chegar.
_ Eu sou favor da democracia, porém o nordeste brasileiro não tem a ver com os jogos políticos de Netuno, Plutão e muito menos de Júpiter! Você deveria ter procurado a Senhora Representante da Terra na Sociedade, Hashdoo!!! – Judas esqueceu – se de falar em sombrak naqueles instantes, e sem querer falou em português. Houve um coro quase ritmado de exclamações emitido pela aglomeração de políticos anônimos lendo ordens judicias no cyber, ao mesmo tempo em que as garçonetes – robôs pediam em linguagem de computador que os seres divergentes se retirassem.
Ignorando os pedidos insistentes, o antes calmo Distribggogramêõ   – Kcuf arremessou um nanoteclado no estômago do brasileiro, que vomitou chá de limão e tirou um aljava de flechas laser da calça jeans enquanto ouvia Distribggogramêõ  gritar em russo:
_ O amaldiçoado do seu irmão é o primeiro e único Papa homossexual assumido,  ex – presidente da China  e com leucemia radioativa que a Via Láctea já conheceu, seu cagão desgraçado!!! Ele interfere na política de incontáveis galáxias, é tão desgastante entender ?!!! A doença dele é uma arma biológica, seu vagabundo! Venceremos Saturno com uma cópia dela, goste Vossa Santidade ou não!!!!! E o seu outro irmão  é um hacker que pode desprogramar...
_ Platão não vai cancelar as enzimas artificias... – já começava a interrompe –lo na mesma língua Judas, quando quarenta e nove policias – robôs invadiram o cyber e agarraram os dois, levando –os para uma viatura e confiscando a aljava do engenheiro.
Um dos robôs os jogou no veículo, acessou o disco rígido deste e em poucos minutos o terráqueo e o goblinense estavam sendo levados à delegacia da capital de Uthopys.
 Uma coruja piou em meio à escuridão. O velho Aquiles Wyr acordou com o barulho. Rolou, se sentou e desceu da cama, praguejando em meio a gemidos de dor. Apoiou –se na bengala e caminhou até a janela. Ao chegar, se pôs a observar em silêncio a coruja. Ficou nessa inércia ninguém sabe por quanto tempo. Sentiu as pálpebras pesarem novamente e olhou o relógio que o tio lhe dera. Eram 11:21 da noite de 10 de janeiro do Ano Metamorfo e ele estava em Campo Grande, sua cidade natal. Esse extenso pensamento o deixou muito feliz.
Ouviu o Rolex bipar. Digitou os nomes de todas as suas sete mil reencarnações na tela piscante do relógio e viu a mesma se apagar. O objeto vibrou em seguida e ela reacendeu, mostrando o discípulo mais querido do idoso numa cela de prisão uthopysana.
_ O que aconteceu,  Distribggogramêõ ? – perguntou espantado o velho ao discípulo.
_ O irmão teimoso do Papa brigou comigo, duque Wyr. – respondeu ele, enquanto engolia o caldo dianaense que um carcereiro grifo lhe dava.
_ Se metendo em brigas por causa da Tríade novamente ? – indagou Aquiles.
O discípulo não respondeu, sabendo que aquela era uma pergunta retórica. Se limitou a bebericar o caldo e suspirar.
Prevendo uma rangida de dentes por parte do outro, o idoso resolveu falar sobre um assunto mais ameno:
_ Você sabe se a Marilyn se apresentou em Baco ?
_ Sim, ela se apresentou e a peça foi um sucesso. Aquele febollense crítico de arte disse que as habilidades teatrais dela são superiores às de Mei Pasteur. – relatou Distribggogramêõ, sorrindo.
_ Esses terráqueos... sempre surpreendendo. – comentou o duque, enquanto Hashdoo começava distraidamente a mascar um chiclete de maconha.
_ Você fala como se não fosse um deles, duque Wyr. – observou Hashdoo, perspicaz como sempre fora.
_ No tangente a me identificar culturalmente, nunca serei, Distrib. Fui criado em Susanoo, um planeta diferente em uma galáxia exponencialmente distinta. – ciente de que o discípulo admirava obsessivamente apelidos e eloquência, fazendo jus à fama da raça goblin, Aquiles usou esses artíficos para mudar de assunto.
_ Jardim do Éden não é uma galáxia tão diferente de Via Láctea, duque Wyr. As únicas diferenças marcantes são a política, os fenômenos geológicos dos planetas e a infestação dos demônios – do – petróleo, aqueles dragões envenenadores que os plutonianos soltaram. – disse  Distribggogramêõ, insistindo em manter o assunto.
_ Fala o óbvio, mas se esquece dos apocalipses zumbis que dizimam civilizações todo Haloween. – lembrou irritado Aquiles.
_ Agradeça à Força Maior que isso ainda não aconteceu com Susanoo, meu queridíssimo mestre. - murmurou Distribggogramêõ de modo misterioso, enquanto abria uma garrafa de vinho bacense.
_ O que quer dizer com isso ? – o idoso se assustou, a bengala caindo no chão e a coruja se sobressaltando com o barulho, tudo ao mesmo tempo.
Frequência cardíaca aumentando, avisou em japonês o nanorrobô no cérebro dele, tenha cuidado e aceite a sugestão da Peach Industries de pegar um cardioremédio de nível 999”
_ Quero dizer que se o senhor não convencer o Conselho de Segurança dessa denominada galáxia distinta a apoiar a Tríade, todas as civilizações existentes em Susanoo serão dizimadas. Eu sequestrei Immanuel e seus dois irmãos e forcei Platão a hackear as máquinas plutonianas para ter acesso à receita do vírus. – limpando o vinho prateado dos lábios verdes com as costas da mão púrpura enquanto sussurrava o pior pesadelo do mestre, Distribggogramêõ se sentia extremamente satisfeito.
Frequência cardíaca aumentando muito, novamente avisou em japonês o nanorrobô no cérebro de Aquiles, tenha cuidado e aceite a sugestão da Peach Industries de pegar um cardioremédio de nível 1000”
Antes de tudo se tornar escuro, o duque mutante Aquiles Wyr visualizou na tela do Rolex o homem a quem ensinara como controlar a mutação que fazia eles saberem todos os detalhes das reencarnações passadas de todos os seres do Universo, o homem a quem adotara quando criança, o homem que se casara com sua filha, o homem que o ajudara a ganhar o prêmio terráqueo Nobel da Paz vinte vezes seguidas, o homem que fora a razão de ele ter largado o consumo da droga grifana Lekyg, o homem que lutara a seu lado em inúmeras batalhas contra piratas espaciais, o homem que o estimulara a pedir em casamento seu falecido marido Heleno Pasteur, o homem que escrevera poemas sobre paternidade para ele, o homem que o salvara de atiradores de elite marcianos, o homem que ajudara sua sobrinha a se formar em Ciências Políticas, o homem que fizera todos os planetas membros da Sociedade Galáctica legalizarem o casamento homossexual, bissexual e transexual em seus territórios por causa dele, o homem que fora ao mesmo tempo seu céu e sua terra, sua razão de continuar vivendo nocautear com um bastão elétrico o carcereiro que ouvira a conversa deles e gritar “ Sua morte virá pelas minhas mãos, duque campo – grandense!” enquanto batia de modo maníaco com a garrafa de vinho nas paredes da cela.
_ “ Hospital Amaterasu Para Imigrantes Não – Terráqueos” – leu em português Marilyn Pasteur Wyr Hashdoo  –  Wofista Alzheimer.
_ É aqui, né ? – quis confirmar Mei Pasteur, que de modo agitado mexia na bolsa Dolce & Gabbana cheia de  SE – books de faculdade. _ É aqui que o tio Calcanhar foi internado, né Ma ?
_ Cala a boca, priminha – sussurrou a outra, acendendo um cigarro. _ Você é uma professora de Ciências Políticas e atriz ou uma investigadora de filme ?
_ Calma – pediu Mei. _ Paz e amor, por favor. Desculpa se estou tirando teu precioso foco, porém suponho que você não precise abrir a porta desse lugar com poderes telepáticos minervenses!
_ Por que ? – perguntou Marilyn, já no segundo cigarro.
_ Porque você é a filha única de um duque que está nesse hospital, vadia! É só berrar e um enfermeiro – robô vai te dar todas as informações necessárias  e um suprimento vitalício de remédios da Peach Industries! – gritou desesperada Mei.
_ Aqui é Campo Grande, priminha. Ninguém me conhece aqui. – murmurou Marilyn, no fim do terceiro cigarro.
_ Engano seu, cacete! Você se apresentou lá na casa do caralho e essa megalópole é mais globalizada que o primeiro dos dez mil países de Júpiter! – urrou a professora, deixando a bolsa cair.
_ Vou tentar, desde que você pare de agir como... você entendeu, está chamando atenção demais para a gente! – gritou Marilyn hesitante, terminando de fumar o quarto cigarro, jogando a bituca dentro da bolsa da prima e batendo na porta do hospital.
Foi como Mei dissera. Depois de colocar o suprimento de remédios em um táxi, a atriz ouviu o enfermeiro – robô recitar na língua nativa dela absolutamente todas as informações que tinham sequer uma ínfima relação com a saúde de seu pai, que era vigiado por Mei, nove médicos febollenses, uma médica stariana, duas anestesistas venusianas, três seguranças marcianos e 55 enfermeiras – robôs enquanto estava dormindo sedado por remédios israelenses  na sala de cirurgia mais completa do lugar.
_ Pelo menos ele estava no trailer onde morava... – suspirou aliviada em minervense Marilyn para o enfermeiro – robô. _ Só não entendi o que vão fazer na cirurgia.
_ Vão colocar um coração artificial no sr. Wyr, senhora. Quando o encontraram desacordado na semana passada, esse músculo tinha sido incendiado automaticamente pelo nanorrobô  Niarb que estava instalado no cérebro dele desde os 45 anos. Segundo o nosso tecnologista – chefe, o Niarb optou por fazer isso para parar o aumento da frequência cardíaca do paciente. A programação do Niarb detectou o início de um colapso nervoso em Aquiles, mesmo tendo avisado previamente duas vezes sobre o aumento da frequência cardíaca e sugerido cardioremédios da Peach Industries de nível 999 e 1000. – explicou a máquina, automaticamente coletando os dados da reprogramação que fizera em si mesma minutos antes para falar a língua nativa dela, e desse modo voltando a conversar em minervense.
_ Entendi. Muito obrigada, enfermeiro.  – agradeceu Marilyn em meio a goles do suco de Porgitad, uma fruta stuquliperwiense de gosto salgado, que era servido no Amaterasu.
_ Preciso adicionar um adendo ao que reportei, visitante 79 do dia. – avisou o enfermeiro – robô enquanto lia o número no Registro de Visitantes do banco de dados virtual do hospital.
_ Prossiga – pediu ela, sentindo uma irritante gota de suor escorrer pela testa porque imediatamente pensou que o adendo poderia trazer mais notícias ruins.
Ele assentiu com a metálica cabeça e disse:
_ O nosso tecnologista – chefe também relatou que o Niarb registrou que a frequência cardíaca do sr. Wyr  começou a aumentar quando ele viu algo em seu Rolex.
_ Alerta! Deep Web desmoronando!  Feudalismo virtual em perigo! – berrou a voz robótica nos alto-falantes do Cisne Negro.
_ O que a gente faz, lorde Platão ?!  - perguntou Angelina Shoe, enquanto pintava as unhas de um robô travesti de rosa e atirava em ratos com sua AK47.
_ Pega os pergaminhos! – berrou Platão Aço Wi –fi Pendragon, um pouco desesperado.
Cavalos  trotavam e a chuva poeirenta caía naquela megalópole do sudoeste do planeta Cwtrlier. Fazendeiros e fazendeiras terráqueos, yjafaws e marcianos supervisionam seus escravos zloffexus no plantio de Lekyg enquanto seus cônjugues jogavam xadrez binário nas varandas de suas luxuosas mansões em frente às lavouras. Essa rotina característica do lugar foi quebrada quando uma espaçonave luxuosa mas ao mesmo tempo discreta atravessou a atmosfera e pousou nas lavouras.
_ O que está acontecendo ? – perguntou falando  em mercuriano o yjafaw Qwertyuiopasdfghjklzum  Nbvcxill para seu marido Tes  Kwah, marciano e o fazendeiro mais abastado do planeta, enquanto interrompia seu movimento para capturar as peças de sua oponente.
_ Não faço ideia, Qwerty. – respondeu Tes sussurrando enquanto ordenava que seus escravos parassem o plantio por meio de sinais com o chicote de couro de demônio –do –petróleo. Os outros fazendeiros, que como ele também observavam a porta da espaçonave se abrir lentamente, imitaram o gesto e em instantes todos os escravos estavam estáticos, aproveitando para descansar enquanto esperavam a próxima ordem em postura de soldado.
Quem saiu da espaçonave foi um brasileiro que evidentemente era do nordeste do país, fato facilmente notável pelas suas características físicas. Entretanto, o homem se vestia como um típico vevolutionlandense, com roupas rasgadas de tonalidade cinza – metálica com pontos coloridos e o símbolo do pergaminho com as leis da robótica rasgado presente no chapéu em forma de cérebro junoh e sem sapatos. Além disso, exibia as tatuagens que se dizia que todo verdadeiro patriota de Vevolution Land deveria ter:em toda a extensão dos braços e das pernas o desenho de um cérebro junoh se fundindo com o desenho de um coração humano  rodeado por desenhos de imãs, placas –mãe de computadores e cérebros robóticos.
O brasileiro também usava óculos de fundo de garrafa e sua cabeça era raspada a navalha e fios de seda da cor rosa enfeitavam seu bigode pintado de preto – carvão, obedecendo à atual moda presente na Alemanha e no Japão.
Em sua testa estava marcada a ferro quente a fórmula de Bháskara e seu nariz era notavelmente quebrado. Por cima da vestimenta cinza, usava um jaleco branco de cientista manchado de produtos químicos com muitas ferramentas de marcenaria, anotações escritas em francês em papel reciclável e peças de computador nos bolsos sujos de café, energético Xorever e cerveja bacense. Ele também manuseava de modo compulsivo, incessante e irritante um microcomputador da marca inglesa Alien Alliance Macrosoft 42.
Ao vê –lo, todos os fazendeiros, cônjuges e escravos fizeram uma reverência, com os narizes quase tocando o solo das lavouras.
O nordestino deu um riso tenso e limpou sua testa úmida de nervosismo com um lenço sujo de iogurte bacense. Em seguida falou em francês:
_ Vamos, pessoal, vocês sabem que eu fico constrangido com essas formalidades e mesuras. Não sou nenhum rei, presidente ou Senhor Representante de nada.
Todos se levantaram no mesmo instante, e isso visivelmente deixou ele ainda mais constrangido. Segundos de pura hesitação se passaram entre o reverenciado e os reverenciadores, até que Tes Kwah perguntou também em francês:
_ A que devemos esta tão agradável e inesperada visita, lorde Platão Pendragon ?
Ele pôs as mãos nos bolsos antes de responder:
_ Hmmm... fico constrangido de ter que responder isso porque não quero preocupar vocês, mas... Distribggogramêõ – Kcuf Hashdoo  –  Wofista Alzheimer sequestrou meus irmãos Immanuel e Friedrich depois de fazer o mesmo comigo e me obrigou a hackear as máquinas plutonianas para ter acesso à receita do vírus causador dos apocalipses  zumbis em Jardim do Éden. Segundo informações que minha assistente conseguiu em Minerva, ele ameaçou o duque Aquiles Wyr de que dizimaria todas as civilizações existentes em Susanoo caso o idoso não coagisse o Conselho de Segurança de Jardim do Éden a apoiar a Tríade. Wyr quase morreu ao ouvir isso, mas agora tem um coração artificial, passa bem e está morando com a filha e a sobrinha em São Petersburgo. Eu consegui fugir do cativeiro que Hashdoo montou, mas infelizmente meus irmãos ainda estão presos. Como era de se esperar, além de fazer eu recair no alcoolismo, o sequestro de Friedrich coloca em crise o Vaticano, a China e o resto da Via Láctea. E como se não bastasse, a Deep Web foi crackeada, o feudalismo virtual corre perigo, meus vassalos estão desesperados e minha base de operações, aquele navio chamado Cisne Negro, pegou fogo e mais de 980 funcionários e amigos morreram carbonizados. Por isso, preciso da influência de vocês para tentar dizer à Tríade que apesar de ser um lorde, apoio a democracia assim como eles e estou sinceramente disposto a abrir mão de meu título de nobreza virtual e anular os de meus vassalos em troca de Susanoo não acabar e meus irmãos serem libertados. Nove dos meus treze filhos estão morando lá junto com minha esposa e meus sete enteados , isso não pode acontecer. E Jardim do Éden não vai apoiar a Tríade, vocês sabem que eles já se declararam extremamente neutros em relação a essa situação há meses. Outro fato horrendo é que Hashdoo quer as teses de Immanuel sobre leucemia radioativa para usar como arma biológica.
_ Entendo sua angústia, milorde... mas não será possível ajuda –lo, porque a nossa galáxia já decidiu apoiar Saturno. Sentimos muito por esse empecilho, porém não temos condições de contrariar uma decisão unânime de todos os planetas de Grifo. – explicou Kwah, com uma falsa expressão de resignação relutante no rosto.
Uma fúria reprimida surgiu no rosto de Platão enquanto ele sussurrava:
_ Vocês se mantém inertes nesse pesadelo coletivo porque se envolver com um futuro aliado da Tríade os imposssibilitaria de lucrar com a venda de Lekyg para o Burundi e as galáxias do Ducentésimo Sistema Solar, não é ? Bom, tudo bem. As consequências serão ruins para Cwtrlier, asseguro –os disso. Nos vemos em breve, plantadores de drogas.
O hacker virou as costas para os fazendeiros, entrou na espaçonave e saiu do planeta.
O Castelo Oval Angelical era o lar dos monarcas de Saturno desde três mil anos depois do Big Bang e onde atualmente vivia  Nosreg Xcivokleklebiu  Iccudnal, o rei saturniano de 490 anos de idade. Esse estava no seu labirinto de escritórios , misturando produtos químicos, pó de meteorito e plantas saturnianas, quando suas filhas gêmeas entraram pela porta triangular do local.
_ Boa rotação, Ubberosajulietixal e Fatlokipaladarel queridas – cumprimentou o rei, parando o que estava fazendo.
_ Boa rotação, pai – sorriu Ubberosajulietixal.
De repente, Fatlokipaladarel começou a chorar. Ciente das tendências depressivas da filha, o rei  apertou usando a ponta de sua unha roxa em forma de trapézio um botão laranja em sua mesa de aço junoh para chamar a robô – enfermeira que sempre lhe dava os antidepressivos.
Ela literalmente chegou em centésimos de segundo. Fatlokipaladarel preferia tomar seus remédios imersa em água quente, por isso entrou no banheiro do pai para usar a jacuzzi que ele comprara na Terra.
Capítulo 2
O historiador Ariano Noé Dichardson Silva X tinha acabado de sair de Drummond, sua terra natal. Era um vilarejo independente em Susanoo, de economia agropastoril e fundado em 2222 por poetas brasileiros que tinham fugido de mochila a jato da Terra  durante a Guerra dos Índios Uranianos, um conflito de proporções mundiais entre a organização anarquista Izanagi (formada por alguns soldados  do exército russo que eram os únicos filhos mestiços de imigrantes uranianas e índios brasileiros existentes em todo o sistema solar) e os atuais países do G8 + 5 (Canadá, França, Alemanha, Itália,Japão, Rússia, Reino Unido e os Estados Unidos, África do Sul, Brasil, China, Índia e México), que não teve um vencedor oficial pois foi completamente interrompido com a visita do rei – filósofo de Minerva para seu casamento com Katniss Gore, a presidente dos EUA naquela época.
Se estivesse sóbrio, Ariano teria se deleitado com a simples ideia de falar sozinho sobre o assunto com a freira culta, surda e semimuda sentada no banco de trás de sua Ferrari, mas o fato era que estava bêbado e ainda tinha que se concentrar em não entrar com o carro no gramado verdíssimo que ladeava, tanto na esquerda como na direita, a estrada. Ariano tinha certa fama em Drummond, pois era o mais velho enteado do nobre virtual Platão Mahatma Pendragon, mas também tinha uma certa fobia social e não conseguindo lidar com a fama e com a atenção constante dirigida a ele, se tornara alcoólatra como o padrasto.
Ele pensava nervosamente nesses fatos e tentava ficar feliz, porque a freira era sua melhor amiga de infância e detestava o convento em que vivera em Drummond, do qual o historiador a tinha acabado de tirar. Por ter se distraído por alguns momentos, Ariano acabou cometendo o erro contra o qual se prevenira: entrou com o conversível no gramado.
Desligou o carro em meio a praguejos da freira Clapeyra e suspirou. O combustível estava acabando e não havia postos de gasolina em um raio de vinte mil quilômetros, por isso resolveu dormir e continuar o caminho até a montanha Tanâtos no dia seguinte, desta vez a pé.
Foi acordado de seu sono alcoolizado pelo barulho de um trem – bala vulcanense que passava pela estrada e quase bateu na Ferrari.  Olhou o relógio e percebeu que já era madrugada. Sabendo que só conseguiria dormir de novo com mais quatro taças cheias de vinho bacense ( que deixara em Drummond, no porão da mansão de sua mãe), resolveu ouvir o Noticiário Intergaláctico no rádio.
Há algumas horas,  Fatlokipaladarel  Xcivokleklebiu  Iccudnal, uma das filhas do rei de Saturno, foi sequestrada pelo goblinense diplomata e partidário da Tríade Distribggogramêõ – Kcuf Hashdoo  –  Wofista Alzheimer.  O rei Nosreg Xcivokleklebiu  Iccudnal avisou Hashdoo por meio da recém – crackeada Deep Web que esse ato terá represálias inimaginavelmente terríveis”, dizia o locutor em mercuriano.
_ Caramba... – murmurou Ariano em português ao ouvir aquilo. _ Isso vai alterar muito o rumo da guerra...
_ De fato, Noé Dichardson. De fato. – sussurrou uma voz enigmática em marciano.
O historiador olhou para o lado e viu um marciano vestido como o Capitão Gancho, do filme Peter Pan, apontando uma flecha laser para seu peito.

As portas do Salão Real se abriram. Ubberosajulietixal Xcivokleklebiu  Iccudnal, sentada em seu magnífico trono de princesa no centro da sala, viu dali a chegada de seu pai, um humano desconhecido barbudo vestindo um terno com o brasão dos Dichardson estampado, uma japonesa vestida como freira que cheirava a crack e Marilyn, a atriz humana naturalizada minervense sobre a qual as amigas da princesa viviam falando. Os três últimos estavam presos por duras correntes vulcanenses.

domingo, 14 de setembro de 2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

#helpsuipa

Por favor, o assunto do vídeo é sério, ajudem a divulga -lo
https://www.youtube.com/watch?v=k00KHt_4t2k
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